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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A polêmica do vírus HIV que abalou o mundo do futebol


Para lembrar o Dia Mundial de Luta contra a Aids, o Blog Detalhes do Futebol não podia ficar de fora. E é por isso que irei contar uma história de preconceito e discriminação que envolveu o jovem camaronês Samuel Nlend, artilheiro do último Campeonato Camaronês e uma das grandes esperanças da seleção africana.

Pense comigo, e se coloque no lugar de Samuel, com apenas 21 anos, recebe a chance de sua vida: assinar um contrato de três anos com  o rico Al-Ittihad, time da Primeira Divisão da Arábia Saudita. Nlend "jogava" no desconhecido Union Douala, time de seu país natal. Por que jogava entre aspas? Vamos aos fatos:


A recusa 

Quatro dias depois de fechar com o time árabe, o atleta foi realizar exames de rotina feitos pelo clube. A surpresa veio à tona quando o jogador foi diagnosticado como HIV positivo - o vírus causador da Aids. Não deu outra, ele teve seu vínculo rescindido em seguida. O porta-voz do clube saudita também confirmou a demissão do jovem de 21 anos. De acordo com o Al Ittihad, os três testes realizados pelo camaronês deram resultado positivo para HIV. A página oficial do time chegou a divulgar imagens dos exames, o que irritou o atleta e seus representantes. Vale lembrar que não existe qualquer normativa que impeça ou limite um atleta soropositivo de exercer a profissão. 

Defesa de Camarões 

O Sindicato dos Jogadores Profissionais de Camarões saiu em defesa de Nlend e vai processar o Al-Ittihad. O jovem atleta voltou a defender o Union Douala, em seu país natal, de acordo com o site "Cameroon Concord". Na volta ao país natal, o atacante foi recebido no aeroporto por vários torcedores e companheiros de Union Douala.


Estranho foi nenhum time se interessar pelo jovem com futuro promissor, muito preconceito envolvido? Isso só o tempo irá dizer.

Um caso de Aids no futebol brasileiro: Gérson, do título ao esquecimento. 

Gérson da Silva, o Gérson, era centroavante nato, daqueles em que o único objetivo é mandar a bola para as redes, sem importar o jeito. Ao todo, fez 23 gols na Copa do Brasil, bem menos, é verdade, que os 36 de Romário, o maior artilheiro da disputa, mas que o ajudaram a fazer o que ninguém mais conseguiu: ser o artilheiro de três edições, as de 1989, 1991 e 1992. Morreu cedo, aos 28 anos, com Aids e, segundo a família, abandonado pelo Internacional, o qual ajudou, com nove gols, a ganhar o título da competição nacional há 22 anos.

A mulher de Gérson, Andréa Mayr Felipe da Silva, relata: “Ele tinha vindo do treino, a gente tinha acabado de almoçar, e aí ele recebeu um telefonema do clube pedindo para ele repetir o exame… Depois, ele foi abandonado. Ele ficou internado uma semana, e o clube nunca ligou para saber onde o jogador estava e por que não aparecia para treinar”. Gérson jogou também no Santos, no Guarani, no Paulista (SP) e Atlético Mineiro. Todos o esqueceram.

Uma vida normal?

A decisão do Al-Ittihad provocou polêmica porque outros atletas infectados pelo mesmo vírus continuaram exercendo suas atividades profissionais normalmente depois da descoberta.
O astro do basquete Magic Johnson chegou a disputar os Jogos Olímpicos de Barcelona-1992 e uma temporada da NBA depois de tornar pública sua condição de soropositivo. Já o norte-americano Greg Louganis, dono de quatro ouros olímpicos no saltos ornamentais, competiu nos Jogos de Seul-1988 apenas seis meses depois de descobrir que era portador do HIV – só tornou pública sua condição anos mais tarde.

Preconceito e discriminação 

O preconceito é um dos principais fatores de exclusão social dos portadores do vírus da aids. Por isso, a conscientização é a melhor maneira de quebrar barreiras inserir os soro positivos no convívio social. Algo muito distante da nossa sociedade. 

Números alarmantes 

A Organização das Nações Unidas recentemente afirmou que mais de 36 milhões de pessoas vivem com o vírus HIV no mundo. A ONU esperava acabar com a Aids até 2030, mas diante desses números declarou que a situação é tão grave que, inclusive, todos os avanços no combate à doença até agora, que foram muitos, podem ser perdidos.

Fontes: IG, ESPN.Uol.comGlobo.com, Cameron Concord, ONU, Aids.gov.br

"São apenas detalhes do futebol"