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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Flamini, o jogador mais rico do mundo



Mathieu Flamini é um típico atleta europeu que está fazendo carreira nas principais ligas do velho continente. Atualmente, joga no modesto Crystal Palace, da Inglaterra. O francês de 32 anos é aguerrido, tem um bom poder de marcação e passes precisos, mas os elogios param por aí. Não me entenda mal, ele é um bom jogador e tem suas qualidades. Mas não é pela característica em campo que estamos falando do Flamini. Sua habilidade mestre está fora das quatro linhas. Quem o acompanhou no Milan e nas duas passagens pelo Arsenal sabe que não se trata de um meio-campista diferenciado, no entanto, Flamini chegou ao nível financeiro que nem Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar chegaram perto. Vamos aos Detalhes do Futebol entender como o francês pôde conseguir algo tão raro para um jogador de futebol.



2008, o despertar

Quando atuava pelo Milan, em 2008, Flamini conheceu Pasquale Granata, um empresário que o incentivou a investir em pesquisa científica na área química. Estranho? Vamos aos fatos. Ele e o novo amigo tinham em mente fazer algo juntos. "Eu sempre fui próximo da natureza e preocupado com assuntos ambientais, mudanças climáticas e aquecimento global. Ele, economista, tinha ideias parecidas. Estávamos buscando como poderíamos contribuir no combate ao problema. Depois de um tempo, ficamos sabendo sobre o ácido levulínico. É uma substância identificada pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos como uma das 12 moléculas com potencial para substituir o petróleo em todas as suas formas”, contou Flamini ao caderno de esportes do jornal The Sun. Entre treinamentos e jogos, lá estava Flamini, agindo como empreendedor e com o pensamento em questões climáticas. 

O projeto do Flamini começou bancando uma pesquisa universitária. "Pesquisadores nos disseram que o ácido levulínico é o futuro e, pesquisando neste campo, poderíamos chegar a grandes descobertas e sucessos. Financiamos a pesquisa da Escola Politécnica de Milão. Depois de muitos meses, chegamos à tecnologia de produzir o ácido em escala industrial, mais barato e rentável. Patenteamos isso. Uma vez que você tem o processo, muda do laboratório para a usina. Mas você precisa adaptar a tecnologia e isso vem com trabalho duro. Não é algo automático. Começamos os testes, analisamos os dados, vemos o que está funcionando, adaptamos, melhoramos, mudamos. É uma evolução constante por anos”.
Além da usina na cidade de Caserta, a companhia de Flamini conta com escritórios na Itália, na Holanda e pretende abrir mais uma filial nos Estados Unidos: “Somos a primeira e única companhia no mundo a produzir ácido levulínico em escala industrial. Fazemos a partir de restos de comida ou de milho".

Trabalhando com riscos

"Investimos muito dinheiro nisso, era um grande risco. Mas você tem que correr riscos para ser bem-sucedido. É um desafio. Empregamos cerca de 80 pessoas na usina e damos trabalho a um total de 400 pessoas. Em tempos de crise na Itália, isso me faz ainda mais orgulhoso. Contamos com pesquisadores, químicos e outros cientistas de Itália, França, Rússia, Holanda, Alemanha e Egito. Trabalhamos em conjunto com a famosa Universidade de Pisa, uma das melhores da Itália”, conta o jogador. 

Do campo ao empreendedorismo. Do quase anonimato ao topo das manchetes.

"Somos pioneiros. Estamos abrindo um novo mercado, com potencial para valer acima de € 25 bilhões. Muitas pessoas tentaram e falharam na busca por uma forma de produzir o ácido. Para mim, isso foi uma válvula de escape. A carreira de jogador é feita de altos e baixos. Estava claro na minha mente e me ajudou a pensar sobre algo diferente. E isso foi intelectualmente desafiante também. Eu li sobre química, mas não sou químico. Comecei a faculdade de direito em Marselha, até ter que abandoná-la por causa da carreira no futebol". Hoje, ele garante que sabe muito sobre o ácido e o processo em curso. A produção em larga escala do ácido levulínico é capaz de movimentar algo perto de 78 bilhões de reais no mercado, o que torna potencialmente Mathieu Flamini o jogador mais rico do mundo, superando até Cristiano Ronaldo, que tem fortuna de 766 milhões de reais segundo a Forbes.

Quase um agente secreto

Por sete anos, o projeto permaneceu oculto, até mesmo de seus pais e companheiros. O meio-campista  afirma que nem a esposa tinha conhecimento do audacioso plano. Esse cara é um mito, se é que me entendem. Como ele conseguiu guardar segredo por tanto tempo? “Eu não estava pensando em perder milhões. Quando comecei, sabia o que poderia acontecer, mas é claro que há momentos em que você fica em dúvida. Nem mesmo minha família sabia algo sobre isso. Meus pais não sabiam até um ano atrás. Primeiro, eles ficaram preocupados, mas agora têm orgulho. Meus companheiros do Milan provavelmente saberão no lançamento nesta semana e meus companheiros do Arsenal descobrirão lendo o artigo. Eu não acho que Wenger saiba, nunca comentei com ele. Eu queria que tudo estivesse no lugar e funcionando até anunciar. Chegamos nisso, depois de sete anos de trabalho. Alcançamos algo inédito. E é por isso que estou muito orgulhoso”.

O futuro nunca almejado
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Em campo, Flamini será lembrado apenas pelos mais fanáticos torcedores. Fora dele, seu potencial será ecoado eternamente ao quebrar o paradigma do jogador de futebol que não pensou somente em investir em imóveis e gastar a fortuna como alguns. O francês está no caminho certo para revolucionar a química e proporcionar um futuro mais saudável e um meio ambiente menos poluído. 

Fontes: ESPN, OGlobo, Esporte Espetacular, IG Esportes, The Sun, TrivelaUol.

"São apenas detalhes do futebol"