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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

O raio-x de Neymar: os dois lados da moeda



Para falar do camisa 10 da seleção brasileira temos de analisar um todo. Sabe-se que Neymar aos 13 anos ganhava 25 mil reais por mês. Aos 15, já atuava nos juniores com jogadores bem mais velhos. Dois anos depois fez a estreia nos profissionais, com apenas 17 anos e 30 dias. Precoce? Acho que não. Ele foi a venda mais cara do futebol brasileiro. Recorde que deve permanecer por um bom tempo. Recentemente, se tornou o grande protagonista do título olímpico, algo inédito para o país. Dentro das quatro linhas, Neymar é idolatrado, seguido, bajulado, exaltado, endeusado por muitos, ufa, adjetivos não faltam, e vale ressaltar que, por merecimento dele. Um atleta  diferenciado atualmente. Os rivais mais críticos o julgam , caçam , depreciam... Mas Neymar parece não ligar para tal perseguição. 

O ídolo com defeitos? 

Fora das quatro linhas, muita polêmica envolvida. Sonegação de imposto, polêmicas na transação Santos/Barcelona, xingamentos, brigas, baladas, e por aí vai. Podemos misturar os feitos do jogador dentro e fora do campo em um só julgamento? O blog Detalhes do Futebol vai mostrar o outro lado da moeda. Cara ou coroa? Faça a sua escolha.

A construção de um olimpiano  pela mídia 

Afinal, Neymar é o ídolo que precisamos? No Brasil, somos carentes desses heróis, de fato. A mídia sempre construiu ídolos ao longo dos anos, faz parte da história e das características da comunicação. Nesse contexto, as pessoas identificam e depositam os seus desejos e frustrações nesses "mitos esportivos". No mundo moderno, onde somos 100% permeados por diferentes tipos de emissores, esse processo se torna mais evidente, e Neymar se encaixa nele, fato. O assunto é grande e complexo. Mas isso é tema para outra postagem. Vamos ao que interessa: Neymar. 
Um craque, os números provam

Vamos lá! Neymar participou de 74 gols em 72 jogos pela seleção brasileira. Ele balançou as redes 48 vezes e deu 26 assistências. É o terceiro maior artilheiro brasileiro em Olimpíadas, e o quarto maior artilheiro da Seleção ,empatado com Zico. Neymar também tem o recorde por marcar o gol mais rápido do futebol olímpico. Aos 24 anos, Neymar tem mais títulos que Messi e Cristiano Ronaldo, quando tinham a mesma idade. E é o jogador com mais gols pelo Brasil até 24 anos, nesse quesito, o atacante superou até o Pelé. Neymar também é diferenciado em partidas importantes. O ex-santista costumar deixar os torcedores felizes em jogos decisivos: ele foi campeão marcando gol na final da Copa do Brasil, Libertadores, Recopa Sul-americana, Supercopa da Espanha, Copa do Rei, Champions League, Copa das Confederações e Olimpíadas.

Nem só de alegria e ousadia vive o garoto: brigas e confusões marcam a carreira do atleta:

"Envergonhei a minha família"

A primeira grande discussão de Neymar talvez tenha sido a maior de sua carreira. Em um jogo do Campeonato Brasileiro de 2010, na Vila, contra o Atlético-GO, o atacante teve o pedido de bater um pênalti negado pelo técnico Dorival Júnior. Irritado, Neymar precisou ser controlado por Léo, mas gesticulou em direção ao árbitro e desrespeitou seu treinador. No vestiário os dois tiveram forte discussão. Neymar pediu desculpas, disse que ficou envergonhado, mas o não perdão de Dorival Junior resultou na demissão do treinador do comando do Santos. 

"Estamos criando um monstro"

A frase do técnico Renê Simões é uma marca forte na carreira de Neymar, e aconteceu logo após o mesmo jogo da briga com Dorival. "Neymar não é um homem e nem um grande jogador, é projeto disso tudo, tem de ser educado logo", seguiu Simões. Foi depois deste jogo que o clube decidiu criar um departamento de gestão de carreira de suas estrelas: Neymar passou a ter um assessor próprio, psicólogo, fonoaudiólogo e passou a ser lapidado com mais cuidado.

"Vem, Neymar"

As "firulas" de Neymar são os principais geradores de confusão em campo. Em um jogo que Neymar fazia boa partida, deu chapéus e outros dribles, contra o Ceará, pelo Brasileirão de 2010, uma briga virou até funk. Revoltado com as represálias dos cearenses, no apito final, Neymar pisou no pé e bateu boca com João Marcos. O adversário respondeu chamando o santista para a briga, com a frase que depois virou música e febre em Fortaleza. O atacante foi para o vestiário, não participou da briga, e quem levou a pior foi o meia Marquinhos, agredido por um policial militar.

"Homens de preto"

Neymar também possui histórico de brigas com árbitros. A primeira mais grave foi no Campeonato Brasileiro de 2011, com Wilton Pereira Sampaio. Após levar um amarelo, o atacante se voltou de forma agressiva ao juiz da partida, disse que ele estaria de "palhaçada" e aplaudiu ironicamente. Neymar foi expulso, advertido por seu técnico, Muricy Ramalho. Depois chorou e pediu desculpas aos seus companheiros.

"Juiz ladrão vai sair de camburão"

De todas as quedas de braço que Neymar teve em sua carreira, essa possivelmente foi a que mais lhe causou dano. Fora de um jogo do Santos contra o Vitória pelo Brasileirão de 2010, e revoltado com atuação do árbitro Sandro Meira Ricci, Neymar postou em seu twitter"juiz ladrão, vai sair de camburão". Apesar de afirmar que as mensagens não foram postadas por ele, o atacante foi processado por Ricci e condenado a pagar 15 mil reais.

"Fair Play"

Na estreia da Copa América de 2011, Neymar teve a primeira confusão pela Seleção Brasileira. Após o empate em 0 a 0, o técnico da Venezuela foi para cima do atacante com xingamentos, e o brasileiro não revidou, mas teve de ser protegido pelo técnico Mano Menezes. A reclamação do adversário foi por Neymar não ter jogado uma bola para fora para atendimento de um venezuelano, e quase marcar um gol na sequência.

"Espreme essa laranja, meu filho!"

Na Libertadores de 2011, quando foi campeão, e na de 2012, Neymar teve atuações memoráveis. Uma delas motivada por uma confusão. Jogando na altitude, com pressão do Bolívar,  e gripado, o atacante foi caçado e hostilizado pela torcida durante a partida inteira. Quando foi cobrar um escanteio foi ao chão, atingido por uma laranja em cheio no rosto. Desta vez, Neymar se segurou e respondeu com futebol. Declarou: "Eu só tenho uma coisa para falar, o jogo não é só de ida". Coitado do Bolívar que pagou o pato. Na volta, Neymar, reverenciado na Vila, fez dois na histórica goleada por 8 a 0. 

"Queria quebrá-lo todo"

O Campeonato Paulista de 2013 foi o último de Neymar pelo Santos e o mais polêmico. Visivelmente muito acima do nível da competição e de seus adversários, o atacante fazia o que queria com a bola dentro de campo, e muitos não levaram isso esportivamente. Contra o Botafogo de Ribeirão Preto, Neymar deu dois dribles espetaculares para cima de Nunes, e depois ainda tentou uma carretilha sem sucesso. O adversário, que já havia brigado com este elenco do Santos na final do Paulista de 2010, se segurou no momento, mas depois soltou  a boca: "Eu pensei duas vezes, queria quebrá-lo todo. No lance da carretilha eu ia grudá-lo na tela. Neymar estava faltando com respeito".

"Tira a mão de mim"

Em um duelo contra a Ponte Preta, pelo mesmo Paulista de 2013, ao sentir um soco desnecessário, Neymar foi discutir com o zagueiro Artur, e o adversário pegou seu rosto com uma das mãos. O atacante deu dois tapas no rival e os dois foram expulsos. Na súmula, o árbitro Luiz Flávio de Oliveira relatou que Neymar iniciou a confusão com um chute por baixo.

"Macaco?"

Jogando em Itu, ainda por este Paulista, Neymar começou a discutir com o técnico do Ituano, Roberto Fonseca. Perguntou: "Você me chamou de macaco?", e se virou ao árbitro e seus assistentes para reclamar da ofensa. O treinador rebateu dizendo que havia chamando Neymar de cai-cai e que ele estaria surdo. O caso foi investigado pela CBF, mas ninguém foi punido.

"Fala muito"

Ficando mais a vontade com seu futebol, naturalmente Neymar começa a driblar mais e dar suas demonstrações de confiança que irritam tanto os adversários - como aconteceu contra o Atlético. Mas o brasileiro já havia passado por um entrevero antes nesta temporada, jogando fora de casa, contra o Sevilla. Ele chegou a marcar um dos gols na goleada por 5 a 1, e, após o apito final, deu duas cabeças em Coke, com quem discutia. Separado por companheiros, Neymar foi embora fazendo sinal de "fala muito".

Perdendo o controle com a medalha de ouro

Um vídeo publicado nas redes sociais entregou Neymar xingando torcedores durante a volta olímpica no Maracanã. Não é possível entender a maior parte das falas do jogador, mas em determinado momento fica explícito que ele diz: “vai tomar no c… aqui é Brasil”. Depois disso, o atacante deu um tapa no muro que o separava da arquibancada e seguiu seu caminho, porém voltou em direção aos torcedores até ser contido por seguranças. Neymar foi muito criticado pela atitude.

De acordo com informações da ESPN Brasil, os envolvidos eram adeptos da seleção alemã. “O problema foi com um pessoal que estava com a bandeira da Alemanha. Xingaram muito ele e outros jogadores do Brasil”, contou uma fonte entrevistada pelo veículo.

Outro indivíduo não identificado, também à ESPN, ainda teria confirmado essas alegações. “Eram brasileiros com a bandeira da Alemanha. Xingaram o Neymar de tudo. Filho da p…, viado, e por aí vai. O jogo inteiro. Não só ele como outros atletas brasileiros.”

Trabalhando com a contradição 

Para alguém que vive da imagem, Neymar não dá o melhor exemplo, estaria ele preocupado? Provavelmente não, já assessoria, nem se fala. Lembre-se , apenas a minha opinião.
Há anos ele ganha mais com publicidade, do que propriamente com o salário pago pelos times que defendeu. O camisa 10 sempre foi um jogador cercado de mimos e não gosta de ser contrariado. Faz questão de "errar" para a agonia de sua equipe. Neymar quebra o estereótipo de ídolo esportivo e exemplar. Suas ações transmitem o símbolo absoluto de uma geração muito mimada e bem remunerada. Seria essa a culpa? Provavelmente. 

O outro lado

Porém, não podemos misturar as coisas. Ele decidiu as Olimpíadas do Rio. Foi o grande protagonista da competição, apesar do começo melancólico. Neymar é Neymar, tem um estilo próprio e ele mesmo sabe que não é um ídolo que você espera que ele seja, já dizia Rica Perrone. Moldá-lo da forma que a sociedade exige é uma tarefa quase impossível. Kaká não se tornará Neymar e nem vice-versa. A ação midiática até tentou transformá-lo na Sandy de chuteiras, mas ainda não colou.


Fontes e referências:

Globo.com 

EspnBrasil

Vocêsabiafutebol 

Revista Placar



 "São apenas detalhes do futebol"