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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Futebol nas olimpíadas é sinônimo de tragédia




Decepção nos Jogos Olímpicos não é novidade para os brasileiros. A história da seleção conta com eliminações para os africanos Nigéria e Camarões e até goleada para a rival Argentina. Vamos aos Detalhes do Futebol entender o motivo de não termos conseguido o ouro nessa competição.


    A bola rolando nos Jogos Olímpicos 

A Olimpíada já foi considerada a mais importante competição mundial de futebol. Mas, com a criação da Copa do Mundo, em 1930, o esporte mais popular do planeta perdeu força nos Jogos Olímpicos. Por décadas, a competição foi disputada apenas por jogadores amadores. Assim, a maioria das seleções era formada por jovens e sua importância era mínima. 

A partir dos jogos de Los Angeles, em 1984, foi admitida utilização de profissionais, desde que esses atletas não tivessem participado de uma Copa do Mundo.

Los Angeles, 1984 - Os gaúchos até tentaram, mas...

... dois gols em cinco minutos tirou o sonho tupiniquim. A base era do internacional de Porto Alegre, entre eles o zagueiro Mauro Galvão e o volante Dunga. A Seleção fez uma ótima campanha. E até eliminou a Itália na semifinal. O Brasil chegou à final pela primeira vez, mas os carrascos franceses venceram por 2 a 0. Não foi dessa vez que ouro inédito viria. Contentamos com a prata.

Time base: Gilmar Rinaldi; Ronaldo, Pinga, Mauro Galvão e André Luis; Ademir, Dunga, Gilmar Popoca e Tonho (Milton); Silvinho e Kita (Chicão). Técnico: Jair Picerni

Seul, 1988: Ficamos no "quase"

A seleção era considerada forte e veio para conseguir de fato o ouro olímpico. A confiança era grande. A equipe contava com Taffarel, Jorginho, Bebeto e Romário. Em um futuro próximo, todos seriam campeões mundiais. O técnico  Carlos Alberto Silva escalou o que tinha de melhor na época. Romário como sempre, foi decisivo e Taffarel brilhava na competição, ambos fizeram a diferença contra os alemães na semifinal. O primeiro fez o gol no tempo normal,o segundo, defendeu duas cobranças na decisão por pênaltis. Já na final, o Brasil abriu o placar com mais um gol de Romário, o sétimo dele na competição. Porém, Dobrovolski empatou. e na prorrogação a tragédia veio. Tartatchok  até foi expulso, facilitando a vida dos atletas brasileiros. Mesmo com um a menos, os soviéticos viraram, com Savitchev. O ouro nunca esteve tão perto.

Time base: Taffarel; Luís Carlos Winck, André Cruz, Aloísio e Jorginho; Andrade, Milton e Neto (Edmar); Careca, Bebeto (João Paulo) e Romário. Técnico: Carlos Alberto Silva.

Barcelona, 1992: Espanha? Só pela TV

O Torneio Pré-Olímpico realizado no Paraguai teve gosto amargo. O Brasil precisava vencer a Venezuela para carimbar o passaporte para a Espanha, mas acabou empatando em 1 a 1, com a fraca Venezuela. A Seleção Brasileira contava com vários jogadores que depois se consagrariam com a própria camisa amarela e em times nacionais, como os laterais Cafu e Roberto Carlos, o zagueiro Márcio Santos, o meia Marcelinho Carioca e o atacante Dener. Mas o time não deu liga e acabou sendo eliminado precocemente. Uma grande decepção. 

E foi em 1992 que passou a valer o formato atual. A competição sendo disputada com equipes sub-23, que poderiam ter no máximo três jogadores fora deste limite de idade.

Atlanta, 1996: Conhecendo Kanu 


O futebol brasileiro voltou aos Jogos Olímpicos nos EUA, local onde se consagrou tetracampeão mundial. Entretanto, a história foi diferente. A seleção treinada por Zagallo contava com Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos, Dida, Bebeto, entre tantos craques chegaram na semifinal nos Jogos de Atlanta. O lugar mais alto no pódio "era nosso". No papel, um elenco quase perfeito.

A partida contra a Nigéria foi emocionante, o Brasil chegou a estar vencendo o jogo por 3 a 1, com dois gols de Flávio Conceição e um de Bebeto. Mas, cedeu o empate no tempo normal e levou mais um gol na prorrogação. Kanu aparecia para o futebol para chocar o mundo. O Brasil ficou com o bronze, após vencer Portugal por 5 a 0, na disputa do terceiro lugar. Os jogadores não foram ao pódio para recebê-la. O voo de volta ao Brasil foi antecipado em um dia, que vergonha, CBF! O capitão daquela seleção falou sobre o ocorrido: "Admito que foi um pouco estranho e de certa forma ficamos até mesmo constrangidos com a situação, pois gostaríamos de ter subido ao pódio junto com as demais equipes e assim participar da cerimônia oficial", disse Bebeto,à ESPN.

Time base: Dida; Zé Maria, Ronaldo Guiaro, Aldair e Roberto Carlos; Zé Elias, Amaral, Flávio Conceição e Juninho Paulista (Rivaldo); Bebeto e Ronaldo (Sávio). Técnico: Zagallo.

Sidney, 2000: África apronta de novo, mas a vergonha é maior 

Em 1996, a geração de Kanu frustrou o sonho dos brasileiros, uma supresa e tanto,afinal, há dois anos éramos tetracampeões. Em Sydney, o Brasil seria surpreendido de forma mais melancólica. O time treinado por Vanderlei Luxemburgo foi eliminado por Camarões nas quartas de final, por 2 a 1. Nem Ronaldinho e Alex conseguiram frear o ímpeto dos africanos.

O pior de tudo era que Camarões tinha dois jogadores a menos, expulsos por entradas violentas e mesmo assim fez o segundo gol eliminando o Brasil. O resultado fez o técnico Luxemburgo ser demitido.

Time base: Hélton; Baiano, Fábio Bilica (Lúcio), Álvaro e Athirson (Roger); Fábio Aurélio, Marcos Paulo, Fabiano e Alex; Lucas (Geovanni) e Ronaldinho. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Atenas, 2004: O fracasso veio antes da aterrissagem em solo grego

Depois das humilhações africanas, pensávamos que o pior já tinha passado, mas não. O Pré-Olímpico novamente complicaria o Brasil e outro fiasco era inevitável. A geração era considerada promissora. Comandada por Ricardo Gomes, a seleção tinha a dupla Diego e Robinho. Elano, Gomes ,Edu Dracena, Maicon, Alex e outros atletas de alto nível compunham a seleção. Na partida decisiva, o Paraguai derrotou o Brasil por 1 a 0 e perdemos a última vaga sul-americana.

Pequim, 2008: Estamos de volta aos jogos olímpicos 

Dunga estava no comando para colocar ordem na casa e ajudar com experiência em campo. A seleção contava com o experiente Ronaldinho, a referência para os jovens. Nomes fortes como Thiago Silva, Marcelo, Anderson, Pato, Ronaldinho, Hernanes, Diego, Thiago Neves, Ramires faziam parte do elenco na Ásia. A equipe venceu Bélgica, Nova Zelândia, China, Camarões, a caminha ia bem, até enfrentar a Argentina na semifinal.

trio Messi, Agüero e Riquelme era diferenciado. Não deu outra, uma sonora goleada para os hermanos, 3 a 0. Ronaldinho já passara a coroa a Messi, a supremacia do argentino começava a ser evidente. Para o Brasil restou a medalha de bronze, conquistada em uma vitória de 3 a 0 sobre a Bélgica.

Time base: Renan; Rafinha, Alex Silva, Breno e Marcelo; Lucas, Hernanes (Thiago Neves), Anderson e Diego (Jô); Ronaldinho e Rafael Sobis (Alexandre Pato). Técnico: Dunga.

Londres, 2012: Agora vai 

Parecia que tudo ia dar certo, o time jogando bem e Mano Menezes em sintonia com os atletas. Marcelo, Thiago Silva, Sandro, Lucas, Ganso, Oscar, Pato, Damião, Hulk e Neymar, o Brasil vencia e convencia. Ninguém era páreo para o Brasil, pelo menos até a final.

México, adversário da decisão  implantou um esquema ousado contra a seleção e aos 29 segundos de jogo, Peralta botou os mexicanos na frente, após bobeira da defesa brasileira. Na segunda etapa, o mesmo Peralta ampliou. Hulk, contestado, fez o gol de honra aos 46 do segundo tempo, mas não evitou mais uma derrota em final de olimpíada. Prata mais uma vez.

Rio de Janeiro, 2016: A vergonha se aproxima  


"Jogamos em casa, somos favoritos, a safra é uma das melhores que já tivemos. Temos a torcida para apoiar os jogadores, o craque do Barcelona está no grupo, a expectativa é a melhor possível, a esperança do ouro é grande". Será? Pelo menos era assim que a maioria pensava antes da pelota rolar. Os jogos do Rio de Janeiro começaram e até agora, a seleção não fez nenhum gol em duas partidas. Mais de 180 minutos sem balançar a rede. Pelo jeito, as decepções vão continuar, mas desta vez, sem surpresas. Já estamos preparados para o pior. O gosto amargo está chegando...