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terça-feira, 7 de junho de 2016

Regra dos gols fora: contra ou a favor?



O uso do gol visitante para o critério de desempate em mata-mata sempre causa muita polêmica. Alguns acham a regra injusta e a odeiam, outros a consideram como uma forma necessária. Vamos aos detalhes do futebol analisar as duas medidas e ajudá-los a decidir: você é a favor ou contra a regra dos gols fora? Não façam julgamento precipitado, vem comigo, vamos ler mais.

A criação

A regra dos gols fora de casa foi criada em 1965, depois do confronto entre Liverpool e Colônia, nas quartas de final da Copa dos Campeões. No primeiro jogo, na Alemanha, os dois times empataram por 0 a 0. No segundo, na Inglaterra, novo empate sem gols. Um terceiro jogo, então, foi disputado em Roterdã, na Holanda. Desta vez, os dois times empataram por 2 a 2. Então, a solução foi o sorteio. O Liverpool avançou no cara ou coroa para a semifinal. Por que não as penalidades?

Está valendo...

Pensaram bastante e criaram a regra na temporada 1965/66, na Recopa, competição atualmente extinta e que reunia os campeões das copas nacionais. Colocar os gols fora de casa como um fator de desempate era visto como uma forma de tornar o jogo dos visitantes menos defensivo. Além disso, a dificuldade em jogar fora de casa, naquela época, era muito maior, com viagens muito mais complicadas, clima muito mais tensos, gramados ruins, condições adversas de infraestrutura para os times visitantes. Os tempos mudaram?

A favor

Um dos objetivos da regra do gol fora de casa era que os visitantes atacassem mais. Discutível, né? A graça de competições em mata-mata é ser imprevisível, e a regra dos gols fora de casa aumenta a imprevisibilidade do confronto. Além disso, a quantidade de duelos que vão aos pênaltis foi reduzida drasticamente. Uma boa tese acima, em minha opinião.

Muitas vezes, os pênaltis servem de conforto aos jogadores, que muitas vezes preferem a decisão nos 11 metros a jogar mais 30 minutos de jogo e se expor a tomar um gol nos minutos finais. É mais fácil falar que perdeu em uma loteria, afinal, era apenas um “chute”.

Contra

Contra-produtiva, desnecessária e injusta? Alex Ferguson, ex-técnico do Manchester United e um dos mais notáveis presentes, é um dos que acredita que a regra dos gols fora fazia sentido quando foi criada, mas já está velha. O técnico do Arsenal também não gota da atual regra. “Às vezes eu acho que tem um efeito contrário nos times que jogam em casa de não sofrer gols”, disse o Wenger ao jornal The Telegraph. “Em casa, a primeira coisa que o técnico diz é ‘não vamos sofrer gols’”, afirmou o francês. O seu ex-rival, Ferguson, concorda. “De um ponto de vista pessoa, quando eu estava jogando em casa, eu costumava dizer a mim mesmo: ‘não sofra um gol’”, declarou o técnico ao Guardian. Recentemente, o goleiro Victor, do Atlético Mineiro, criticou o regulamento da Copa Libertadores. Mesmo com a vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo, o Galo foi eliminado e o arqueiro do alvinegro saiu de campo reclamando do critério de gol fora de casa. “A gente lutou os dois jogos, nos dedicamos. Por obra do regulamento, o Atlético-MG não conseguiu a classificação. O São Paulo se limitou a defender, apostar em jogadas de bola parada”, desabafou o goleiro.

Prorrogação, eis mais uma injustiça?

Um dos problemas é que ela continua valendo em caso de prorrogação. Caso os times tenham o mesmo placar, mas de forma invertida, nos dois jogos, a disputa vai para a prorrogação e o gol fora de casa eventualmente acaba sendo decisivo. O gol fora de casa é mantido. Uma opção seria o fim da prorrogação e a disputa iria direto aos pênaltis. Essa seria apenas uma das  alternativas existentes.

O que dizer da Conmebol?

Nas competições sul-americanas, a regra passou a valer a partir de 2006, mas só até a fase semifinal. Na final, a Conmebol, inexplicavelmente, resolve que essa regra não vale. Vindo da Conmebol, normal.

Com informações do Trivela.uol.com.br, Espn.com.br, Futpedia, Globo.com

“São apenas detalhes do futebol”