Páginas

terça-feira, 10 de maio de 2016

A dança dos treinadores



No futebol, os técnicos costumam ganhar muito bem, mas carregam muita pressão por resultados imediatos. E quando eles não vêm, a demissão é o caminho escolhido por muitos clubes. É da nossa cultura, está no DNA futebolístico essa impaciência e incompreensão com os treinadores que atuam em nosso país. O blog Detalhes do Futebol vai tentar entender a troca desvairada de treinadores no mundo da bola brasileiro.


Essas constantes demissões de treinadores prejudicam o desenvolvimento do futebol brasileiro? O treinador faz um trabalho para desenvolver o futebol ou para ter um resultado? Achamos respostas interessantes de ambos os lados.

Muito tem se falado em mudança e qualificação do futebol nacional, principalmente depois do vexame na última Copa do Mundo realizada no Brasil. Dar continuidade a filosofia de trabalho do novo treinador requer tempo, algo que os comandantes reclamam sempre após as demissões. A verdade é que, a “cada rodada” um treinador sai, outro chega. Os pensamentos são diferentes, e nem sempre essas mudanças salvam muitas equipes. Vale ressaltar que essas transições também têm outro lado, o do sucesso. Muitas trocas acabam salvando várias equipes do rebaixamento. Joel Santana que o diga.

Imitar a Itália?

Na opinião de Paulo Vinícius Coelho, comentarista do FOX Sports, deveria ser adotado no futebol brasileiro um regulamento que limitasse a contratação de treinadores pelos clubes. Na Itália, segundo PVC, os times até podem demitir o técnico, mas não são permitidos de contratar um novo comandante que tenha dirigido qualquer outro clube da primeira divisão.

Amedrontamento no comando

Zé Mário, presidente da Federação Brasileira de Treinadores de Futebol, afirma que os treinadores vivem atualmente sob uma ameaça constante de serem demitidos se não mostrarem resultados. Para ele, essa não deveria ser a principal preocupação dos clubes, mas sim se o técnico irá melhorar o desenvolvimento do time, o entrosamento dos jogadores, entre outros aspectos.

“A gente está querendo que a nossa profissão de treinador de futebol seja mais respeitada. Hoje, aqui no Brasil, o treinador trabalha para evitar resultados negativos. Isso aí não é bom não só para o futebol brasileiro, como também para os clubes. Eu acho que o único prejudicado nisso é o clube e o futebol brasileiro, porque não temos mais uma continuidade“, argumenta. “A gente não tem jogadores mais que saibam o que vão fazer porque quando entra um treinador muda tudo na maneira de trabalhar. Quando você troca o treinador, volta tudo a estaca zero”, opina.


CBF até que tentou adotar uma medida para evitar troca de técnicos.

A Confederação Brasileira de Futebol colocará a votação que treinadores não comandem outros times após completar sete jogos. Medida que deve ser barrada pelos times. Uma alternativa para evitar a troca de técnicos.

A CBF proporá aos clubes que seus treinadores não possam comandar outro time depois que completarem sete partidas à frente de uma equipe. A medida já é utilizada para os jogadores. O artigo 9º do regulamento da Série A do ano passado prevê que "Um atleta poderá ser transferido de um clube para outro durante o Campeonato, desde que tenha atuado em um número máximo de seis partidas pelo clube de origem, sendo permitido que cada atleta mude de clube apenas uma vez". O mesmo seria implantado para os técnicos. Mas os clubes não enxergam a medida com bons olhos.

Francês é o técnico mais antigo do velho continente

Indo na contramão da cultura futebolística brasileira está Arsene Wenger. O francês é o treinador há mais tempo no comando de um clube no futebol europeu. O posto passou para as mãos do francês depois da demissão do irlandês Ronnie McFall do Portadown neste sábado, por conta da derrota para o Lurgan Celtic pelas quartas de final da Irish Cup. O revés colocou ponto final em uma trajetória que teve início em dezembro de 1986, mesmo ano que Alex Ferguson assumiu o comando do Manchester United. Com a aposentadoria de Fergie em 2013, Ronnie McFall passou a ser o treinador mais longevo na Europa. A honraria agora cabe a Arsene Wenger, que assumiu o Arsenal em outubro de 1996. Em 29 anos no comando do Portadown, McFall conquistou 23 troféus e dirigiu a equipe em 1480 jogos

Estudo mexicano comprova que o Brasil é o país que mais troca de técnico

De acordo com o jornal mexicano “El Economista”, o treinador de futebol que consegue se manter no cargo por mais de uma temporada e meia já pode ser considerado acima da média.O jornal analisou o tempo médio de permanência dos técnicos em seus clubes nas dez principais ligas do mundo. E a conclusão foi de que o Brasil é o país que mais registra mudanças de comando, principalmente por causa do Fluminense, que lidera como o time que mais mudou seu treinador entre 2002 e 2014.

A bola vai rolar e a dança recomeçar

No ano passado, apenas Tite, no Corinthians, iniciou e encerrou o Campeonato Brasileiro na mesma equipe. Coincidência ou não, foi o campeão nacional sob o comando do treinador. O Brasileirão já começa neste fim de semana e os instrumentos musicais dos cartolas já foram testados na passagem de som. A música até pode parar, mas a dança dos treinadores deve continuar.


 “São apenas detalhes do futebol”


Fontes e referências:

UOL.com
Espn.com
Globo.com
Arsenal.com
Esporte.ig.com
EsporteInterativo.com