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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Treinadores de sucesso sem experiência em campo, é possível?


A importância dos técnicos para os times de futebol tem se tornado cada vez mais evidente nos últimos anos. Não faltam exemplos de treinadores que foram peças fundamentais para um título. Alguns têm mais carisma e status de estrela do que os próprios atletas. Atualmente, os comandantes de sucesso são supervalorizados e a pressão por resultados é plausível. E diante do vasto conhecimento desses profissionais em relação ao esporte, é comum que muitas pessoas acreditem que todos já foram talentosos jogadores no passado. Não é bem assim. Vejamos nos detalhes do futebol.


Treinador que não jogou profissionalmente é olhado com desconfiança no meio do futebol? Há um preconceito velado? Quem esteve lá dentro terá prioridade pela experiência? Quem fez sucesso nas duas funções foi o holandês Johan Cruyff e a opinião dele é clara sobre o assunto. “Quem jogou nota os pequenos detalhes, mas isso, não quer dizer que não possa ser um bom treinador”, ressalta Cruyff.

O atual técnico do Internacional também falou sobre o tema. Argel Fucks ressaltou a importância de ter um treinador que foi ex-jogador para administrar um elenco de 30 atletas. Segundo ele, quem está em campo olha diferente e não respeita da mesma forma que respeitaria um ex-atleta no comando. Porém, a história mostra outra realidade. Técnicos por ofício provaram o contrário. 


Jorge Luis Pinto:

Nunca jogou profissionalmente, até tentou ser jogador, mas logo percebeu que não tinha talento suficiente. Sua habilidade era mais tática. Quando jovem, Luis Pinto devorava os livros sobre futebol e dizia que iria comandar o time do Milionários da Colômbia. Pinto formou-se como professor de educação física na faculdade Guanentá, em sua cidade natal. O colombiano ficou conhecido por levar a revelação Costa Rica as quartas-de-final da última Copa do Mundo e superar o famoso grupo da morte ao lado de três campeões do mundo.

André Villas-Boas

É considerado um dos treinadores mais promissores de Portugal. Desde cedo amou o futebol, mas amou mais as táticas que envolvia o esporte. Em1994, Bobby Robson foi contratado pelo Porto de Portugal  e coincidentemente  veio morar no prédio de Villas-Boas, o que levou o jovem aprendiz de treinador a tentar aproximar-se do treinador do Porto. Com  apenas 16 anos, ele escreveu uma carta ao treinador inglês em que sugeria em dar mais rendimento a Domingos Paciência, seu ídolo da juventude. Este contacto com Bobby Robson fez com que o Inglês ajudasse Villas-Boas a obter as suas certificações de treinador, apesar de, com apenas 17 anos, a lei não o permitir. Ao ganhar a confiança com o passar do tempo, Villas-Boas começou a trabalhar auxiliar no Porto, foi pupilo de José Mourinho e juntos faturaram muitos títulos. Hoje é técnico do Zenit  da Rússia.


Ney Franco

Conhecido do grande público pelas conquistas no Flamengo, o técnico já até assumiu a Seleção Brasileira sub-20, em 2010 e conquistou o Mundial de 2011.  Antes disso teve passagens vitoriosas por Ipatinga e Coritiba. Ele é formado em educação física, e iniciou sua carreira na categoria de base do Atlético Mineiro, posteriormente a do Cruzeiro.

Oswaldo de Oliveira

Teve um início brilhante. Também oriundo da preparação física, o técnico assumiu o comando do Corinthians em 1999, no mesmo ano ganhou o Paulistão e o Brasileirão. Preparador físico e treinador de futebol. Ele começou a se destacar no futebol sob a tutela de Vanderlei Luxemburgo, de quem foi auxiliar técnico no Santos e Corinthians. Em 1999, assumiu o comando do Timão conquistando o Campeonato Paulista e o Brasileirão. No ano seguinte, levantou o polêmico Mundial da Fifa, no Rio. Foi também bicampeão da J-League em 2007/08. Conquistou no Botafogo, a Taça Guanabara (primeiro turno do Carioca) em 10 de março de 2013 e a Taça Rio (segundo turno do Carioca) e se tornou campeão carioca, ao eliminar a possibilidade de uma eventual final.

Renê Simões

Chegou a jogar em divisões de base, mas resolveu cursar educação física. Seu primeiro. O técnico trabalhou em muitos lugares do mundo. René Simões até tentou ser jogador de futebol, atuando nas categorias de base do São Cristóvão, Flamengo e Bonsucesso. Mas logo desistiu de ser atleta, decidindo estudar Educação Física e apostar na carreira de treinador. René revolucionou o futebol jamaicano, quando foi treinador da seleção do país da América Central. Assumiu o time em 1994, com a missão de classificar os "Reggae Boys” para a Copa do Mundo de 1998, na França. Logo que chegou, Simões expulsou os jogadores arruaceiros, organizou taticamente o time, convenceu os dirigentes que era necessário investimento pesado, e resgatou talentos jamaicanos na Inglaterra. Em 2004, foi convidado para disputar as Olimpíadas com a Seleção Brasileira de Futebol Feminino. O Brasil perdeu a final do torneio para a forte Seleção dos Estados Unidos, por 2 a 1, na prorrogação. Mesmo assim, foi elogiado. Esse feito mostrou a evolução do futebol feminino.

Carlos Alberto Parreira

Talvez o mais famoso técnico brasileiro que não atuou em campo e sem dúvida, um dos mais importantes da história do futebol de todos os tempos. Traçou como objetivo que se tornaria preparador físico e se tornou. Começou sua carreira como preparador físico no São Cristóvão, do Rio de Janeiro, mesma função em que atuou no Fluminense, em meados dos anos 60. Na Copa do México, em 1970, foi o preparador físico da Seleção Brasileira e contribuiu muito na observação dos adversários futuros da seleção na competição, dando indícios que tinha outros dons que envolvem o futebol, uma vocação oculta. Foi treinador da Seleção Brasileira, na Copa de 1994, nos Estados Unidos e levou a equipe ao tetracampeonato. Parreira tem a impressionante marca de ter classificado quatro seleções diferentes para cinco copas do mundo (Kuwait, em 1982; Emirados Árabes, em 1990; Brasil, em 1994 e 2006;  e Arábia Saudita em 1998). No Brasil, teve passagens por Fluminense (campeão brasileiro de 1984 e de 1999 - nesta oportunidade pela série C), Bragantino, São Paulo, Atlético Mineiro, Santos, Internacional e Corinthians (campeão brasileiro e do Rio-São Paulo, ambos de 2002). No exterior, esteve à frente do Valência (Espanha), Fenerbahçe (Turquia) e New York MetroStars (Estados Unidos). Viveu um momento ruim em sua carreira na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, quando a Seleção Brasileira foi eliminada nas quartas-de-final pela França. Ao lado de Felipão, Parreira conquistou o primeiro título para Seleção de forma invicta, organizado pela Fifa, a Copa das Confederações, no dia 30 de junho de 2013, mas o rendimento da dupla não foi o mesmo na Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, e ambos deixaram o cargo após a competição.

"São apenas detalhes do futebol"