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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Os três finalistas do prêmio Bola de Ouro da FIFA e o Rei do Futebol




Depois de uma breve pausa nas postagens do blog, estou de volta e dessa vez para falar sobre as premiações dos craques da bola. O que seria do esporte sem esses mitos que fazem os torcedores enlouquecerem? Vem comigo, vamos aos detalhes do futebol.



A indicação de Neymar a finalista da Bola de Ouro, encerrou o maior jejum brasileiro fora do pódio do prêmio de melhor jogador do planeta. O atacante do Barcelona aparece ao lado do "recordista" Lionel Messi com quatro conquistas, e de Cristiano Ronaldo, eleito nos últimos dois anos. 

O país pentacampeão mundial de futebol não tinha um atleta entre os três primeiros do pleito organizado pela Fifa desde a vitória de Kaká em 2007, justamente no ano em que superou Messi e Cristiano Ronaldo. Mas de 2008 pra cá, só esses dois estrangeiros reinaram no mundo do futebol. Ganharam todas as edições seguintes. Figuras mais do que repetidas nas premiações. Nos anos de 2008 e 2009, Kaká ficou com a quarta colocação. E em 2013, Neymar ficou com o quinto lugar.

Neymar passa a ser o sétimo representante do Brasil entre os finalistas do prêmio. Além dos vencedores Romário (1994), Ronaldo (1996, 1997 e 2002), Rivaldo (1999), Ronaldinho (2004 e 2005) e Kaká (2007), O lateral Roberto Carlos ficou na segunda colocação em 1997. O brasileiro com mais indicações é Ronaldo Fenômeno, com cinco. Os oito troféus colocam o país ainda como recordista de conquistas. Não há como negar, o Brasil possui uma história riquíssima nesse prêmio. E nem a atual fase do futebol brasileiro incomoda a liderança isolada. Quem mais se aproxima são: Argentina, com quatro títulos, todos de Lionel Messi, e Portugal (três de Cristiano Ronaldo e um de Luís Figo).

Entre 1991, ano da primeira edição da eleição da Fifa, e 2006, o país só ficou fora do pódio em quatro oportunidades: 1991, 1992, 1995 e 2001. 

Pelé Eterno!

Considerado o maior atleta do século XX, Pelé ultrapassou Messi na lista de maior vencedor de Bolas de Ouro, prêmio criado pela revista France Football em 1956. Como assim? Calma , eu explico. Na edição especial de 60 anos do prêmio, publicada no último mês, a revista francesa revisou a premiação desde sua criação e concedeu a  Pelé a liderança de títulos. A justiça foi feita, antes tarde do que nunca. Até 1995, a revista só entregava os prêmios para jogadores europeus. Ou seja, Pelé nunca teve chance de concorrer. Aos 75 anos, dessa vez , ele foi reconhecido.

Com as mudanças de critérios da revista, Lionel Messi conseguiu vencer quatro vezes (2009, 2010, 2011 e 2012).

O argentino era até então, o maior vencedor do prêmio. Agora esse posto pertence a Pelé, que merecia ter faturado a Bola de Ouro por  sete vezes, de acordo com a edição especial. As conquistas foram nos anos de 1958, 1959, 1960, 1961, 1963, 1965 e 1970. 

Outras alterações aconteceram em 1962, quando Garrincha passou a ser o detentor do título no lugar de Josef Masopust, por ter decidido a Copa do Mundo para o Brasil. Em 1978, Kempes tirou o prêmio de Kevin Keegan, também por decidir um Mundial. Em 1986 e 1990, Maradona faturou os trofeus de Igor Belanov e Lotar Matthaus. Em 1994, Romário levou o prêmio em vez de Stoichkov, também por brilhar na Copa. O búlgaro levou sua seleção a semifinal, mas o baixinho levou a medalha de ouro nos Estados Unidos.

Pelé versus?

Brasileiros e argentinos têm uma das maiores rivalidades e a tensão entre os dois países começa na briga para ver quem foi o melhor do futebol. Pelé ou Maradona? Mas nos últimos anos, Messi e seus recordes incrementaram uma nova discussão.

"Messi é maior do que Pelé?", é a manchete da publicação da Revista France Football. Segundo a reportagem, a comparação entre Messi e Pelé seria semelhante na música a colocar frente a frente Elvis Presley e Mozart, ou na pintura, Rembrandt e Salvador Dalí. Não há como fazer uma comparação? Tentemos de novo...

Entre 1956, quando Pelé estreou profissionalmente, e 2004, quando Messi jogou pela primeira vez no Barça, "o futebol também é muito diferente", diz a revista, que destaca que o ambiente moderno do esporte é oposto ao de cinco décadas atrás, quando o "antifutebol manchava os campos". Mais uma tentativa...

Outra diferença seria o fato de que quase toda a carreira do Rei do Futebol foi desenvolvida com três jogos por semana, enquanto o argentino normalmente atua duas vezes, mas com constantes períodos que possibilitam recuperação física.

A France Football lembra que, apesar das eras distintas, os números são comparáveis. Pelé, por exemplo, marcou 1.281 gols sendo 784 em partidas oficiais. Messi chegou aos 500, em 11 temporadas como profissional, vestindo a camisa de Barcelona e Argentina. Na boa, no contexto em que Messi seja um extraterrestre do futebol mundial, Pelé seria o líder desse planeta desconhecido. Sou mais Pelé, sempre. 

Unificação dos prêmios e o fim da polêmica 

A FIFA e a revista France Football firmaram um acordo em 2010 para unificar os dois principais prêmios concedidos aos craques da bola: o de melhor jogador do mundo, entregue pelo órgão máximo do futebol desde 1991, e a Bola de Ouro, tradicional prêmio oferecido pela publicação francesa desde 1956. Os dois passaram a ser um único prêmio, o que tem evitado polêmicas envolvendo diferentes escolhas.

A Bola de Ouro é a manutenção do nome usado pelo prêmio francês. O processo de votação também foi unificado. O vencedor do prêmio é escolhido por capitães de grandes equipes, treinadores, e também por jornalistas que apontavam a premiação da France Footbal. Segundo o diretor-geral do jornal L'Equipe e da France Football, François Moriničres, há mais equilíbrio nas análises.


Brasileiros "recuperam" os prêmios 

Durante as escolhas em anos anteriores, existiram três ocasiões em que os brasileiros congratulados pela Fifa não levaram também a Bola de Ouro: Romário, em 1994, Ronaldo, em 1996, e Ronaldinho Gaúcho, em 2004. Nesses anos, a revista Francesa elegeu, respectivamente, o búlgaro Stoichkov, o alemão Mathias Sammer e o ucraniano Shevchenko. No total, foram sete os anos em que as duas premiações não coincidiram. Olhos estranhos? Quem sabe...


Voltemos ao presente: O prêmio de melhor jogador do ano de 2015 vai para...?


Neymar é iniciante na disputa, Lionel Messi é finalista pela nona vez e ganhou 4 vezes o prêmio, contra 3 títulos do português. O gajo faz sua oitava final de Bola de Ouro, mas venceu as últimas duas. Neymar estar entre os três melhores, mas as chances de o brasileiro conseguir levar o prêmio são pequenas. Não por seu futebol, mas pelos números da dupla concorrente à premiação. Apesar de não ter sido campeão com o Real Madrid, Cristiano Ronaldo, vencedor nos últimos dois anos, soma 55 gols e 17 assistências em 56 partidas. Já Lionel Messi, tem tudo para levar o quinto troféu após vencer a Liga dos Campeões, o Espanhol, a Copa do Rei e a Supercopa da Europa com o Barça, além de enumerar 57 gols e 23 assistências em 60 jogos. Os números dos dois astros foram computados até o dia 20 de novembro, data em que se encerraram as votações. Já Neymar, talvez o principal jogador do Barcelona na primeira metade da atual temporada, já que Messi esteve machucado durante diversas rodadas, balançou as redes 44 vezes e deu 13 passes para gol em 60 aparições pelo Barça e pela Seleção Brasileira.

Quem leva essa? Minha aposta é em Messi, sem dúvida. O argentino já não tem a mesma volúpia de anos anteriores, porém, se reinventou na atual temporada. La Pulga ganhará o troféu mais uma vez.
O prêmio Bola de Ouro será entregue ao vencedor no dia 11 de janeiro, na Suíça. Até lá.  

"São apenas detalhes do futebol"

Confira os três finalistas em ação: